Daqui a meia hora faz cinco anos que o pai nos deixou sozinhas. Não morreu, mas deixou de viver.
O dia 30 de Maio de 2007 marca a última vez que o pai andou, se sentou ou se levantou sozinho. A última vez que esteve em casa, a última vez que saíu à rua pelo seu pé, a última vez que fumou um cigarro, a última vez que falou, a última vez que viu, a última vez que pode comandar o seu corpo ou os seus pensamentos.
O dia 30 de Maio é pior que o 28 de Fevereiro. O dia 30 de Maio é aquele que marca a retirada do pai como ser independente, coisa que ele tanto prezava e orgulhosamente defendia. O 30 de Maio roubou ao pai toda a sua cultura, toda a sua sabedoria, toda a sua maneira de ser. No fundo, é como se ficasse um corpo debilitado sem alma.
O dia 30 de Maio marca também o primeiro dia dos longos 9 meses deitado que o pai passou no Hospital Egas Moniz. Marca o começo da nossa vida a quatro. Marca o fim da nossa família de cinco.
É injusto e não consigo parar de me revoltar.
Tenho saudades do pai, das conversas inteligentes que tínhamos, do apoio que (parecendo que não) nos dava, da companhia a ouvir música clássica ou a falar de notícias. Tenho saudades de sermos uma família que jantava todos os dias à mesa.
Em cinco anos tudo mudou. Os meus "grandes amigos" demonstraram-se uma desilusão e deixaram-me quando eu mais precisei deles.
Sim, o 30 de Maio é um dia muito triste porque marca o fim de tantas coisas... Mas principalmente porque marcou o princípio da vida sem o pai.














